Mulheres de Cabul

5:35 PM

O livro que vou falar hoje é muito interessante e me fez refletir sobre muitas coisas, se chama "Mulheres de Cabul", da autora Harriet Logan e editora Ediouro.
Harriet é fotógrafa e foi convidada pelo London Sunday Times Magazine para um trabalho no Afeganistão em 1997, quando o Taleban havia assumido o poder há pouco mais de um ano. O livro contém fotos de mulheres afegãs e um pouco da história de cada uma delas, e também relatos sobre o que estavam passando com a chegada desse movimento extremista. Alguns relatos constam da data de 1997 e outros de 2001, quando a autora retornou logo após a queda do regime, ocorrida graças à intervenção dos EUA, e outros das duas datas, comparando o que mudou na vida de algumas delas.
O livro é muito interessante e bonito, mas ao mesmo tempo triste porque a maioria das histórias são de mulheres sofridas que nunca encontraram a felicidade nas pequenas coisas da vida e isso se reflete em seus rostos. Antes do Taleban tomar o poder, as mulheres andavam livremente pela rua e com roupas tipicamente ocidentais, podiam trabalhar e estudar, porém quando se instalaram definitivamente, houve uma série de proibições como: as mulheres não podem estudar nem trabalhar, devem usar burkas e não usar maquiagem, entre outras proibições para todas as pessoas como: não empinar pipas, não ouvir músicas e que os homens nunca deveriam fazer a barba.
Foi um período muito difícil para os afegãos, com muitas mortes e atos de violência. As pessoas viviam com medo de tudo e de todos e numa miserabilidade deplorável, já que as mulheres viúvas não conseguiam sustentar suas famílias por não poder trabalhar e também não tinham acesso à saúde, pois não tinham dinheiro para pagar. Muitas mulheres instruídas e formadas perderam seus empregos e foram obrigadas a ficarem dentro de casa. Meninas se sentiam revoltadas por não poderem mais ir à escola. E ainda apanhavam por qualquer coisa, qualquer coisa.
Pelo que andei pesquisando a situação lá não melhorou muito e o Taleban ainda exerce influência sobre outros países. Além do Afeganistão, várias outras mulheres de países árabes sofrem todos os dias com a discriminação, assédio sexual e privação do estudo e do trabalho, como mostra a reportagem da revista Exame do dia 13/11/13.
Nós estamos "acostumados" a criticar tudo no nosso país, mas a cada dia estou aprendendo a valorizar todas as coisas boas que ele tem e nos oferece de graça. Aqui temos liberdade para estudar e trabalhar, ouvir música, falar com qualquer pessoa na rua, nos vestir como quisermos, além de coisas muito importantes como acesso à saúde gratuitamente, saneamento básico, boas condições de trabalho e leis que nos protegem! Há muita coisa para melhorar sim, mas temos que ser mais gratos e também lutar por aquilo que acreditamos, e ouvir o clamor dessas vozes abafadas que necessitam da nossa ajuda. Cito o exemplo da jovem Malala, que protestou defendendo o direito à educação das mulheres  e que com apenas 16 anos foi indicada ao Nobel da Paz.
A seguir estão alguns trechos marcantes do livro: 
" Eu sou uma das mulheres que querem trabalhar e participar da reconstrução do meu país, lado a lado com os homens." (Nahed, 32 anos, pag 95)
" Eu quero lutar com a minha caneta. Eu lutaria através da força, com uma arma, ma assim teria de matar ouras pessoas. Não quero fazer isso, mesmo que não sejam pessoas boas. Elas não precisam ser mortas, precisam aprender a tornarem-se humanas. Se forem mortas, o Afeganistão perderá mais vidas, além dos milhões já mortos" (Marina, pag.19)
"Será que alguém guarda boas recordações do Taleban?" (Shafika, pag 26)
Deixo, alem dos votos de uma boa leitura, um pedido de reflexão e atitude para que todas as nossas vozes, juntas, possam ser ouvidas e tornar nosso mundo um lugar melhor para todos!

E, como havia prometido, há um bônus para todos os leitores do blog: Quem seguir o nosso blog ou curtir a nossa página no facebook (ainda em construção, mas já tem coisa nova lá), ganha 10% de desconto no Sebo Cultural, que é onde eu adquiro a maioria dos livros que leio, na compra de qualquer livro. Fica na Rua Comendador Custódio Vieira, 397, Centro, Lorena-SP, na "Rua do Predião" como chamamos por aqui. O telefone é (12) 3157-8594 e é só falar com o Ricardo ou a Enriete. Eu garanto que vocês vão gostar! 








You Might Also Like

3 Comentários

  1. Estimada Júlia, você está de parabéns pela iniciativa de criar este Blog. Gostei demais! Parabéns e continue sempre a divulgar a arte e a cultura. Votos de muito sucesso sempre!

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pessoal! Fico realmente muito feliz que tenham gostado pois serve de motivação pra mim :D

    ResponderExcluir

CURTA NO FACEBOOK

Flickr Images