A mulher que amou demais (resenha)

3:37 PM



Em "A mulher que amou demais", Nelson Rodrigues escreve sob o pseudônimo de Myrna, que também assinou colunas do consultório sentimental "Myrna escreve" no Diário da Noite. Foi publicado em 1949, em forma de folhetim, no mesmo jornal e em 2003 a editora Companhia das Letras publicou-o sob a forma de romance.
Confesso que o título me chamou bastante atenção e num primeiro momento achei que seria uma história boba ou meio clichê, mas no fim me surpreendi bastante, pois esses romances folhetinescos realmente conseguem prender nossa atenção! São 26 capítulos, com praticamente o mesmo tamanho, que sempre terminam com uma cena de suspense, fazendo com que a gente não se canse de ler até descobrir o final. Li em dois dias e gostei muito!
A história toda se passa em praticamente um dia: a véspera do casamento de Lúcia. Lúcia é uma garota de 18 anos que tinha o noivo perfeito, Paulo, e justamente um dia antes de se casar percebeu que não o amava de verdade. Quem a ajudou a descobrir isso foi um estranho que encontrou na rua e que, de acordo com sua própria definição "ser bonito assim já era pecado". Os conflitos começam quando a noiva decide cancelar o casamento na véspera, dizendo estar apaixonada por este outro homem.
Coincidência ou não, no decorrer da história descobrimos que este estranho, chamado Carlos, é "irmão" do noivo, na verdade parentes distantes que foram criados juntos depois que os pais de Carlos morreram. Este veio à cidade para cometer um crime, cuja razão e vítima não vou contar pra vocês pra não estragar a emoção da leitura, e nem como o crime ocorre! (haha)
O livro todo tem uma áurea de morte, já que a vida do autor é cercada delas, mas nem por isso deixa de ser menos interessante ou obscuro. Só fiquei com raiva da protagonista porque ela simplesmente "ama demais", ou seja, quer fazer tudo pelo seu amor e esquece completamente de si mesma. Há quem acredite que o amor verdadeiro deva ser assim. Felizmente ou não, eu não sou assim.
Aqui vai um trecho que está bem na introdução do livro:
"A expressão "amou demais" parece que espanta. Há quem pergunte: "Pode-se amar de menos?". Eu própria convenho que não. Ninguém ama de menos. Sempre se "ama demais". Isto, dito assim, pode parecer meio vago, meio nebuloso. Digo "ama demais" atendendo a que todo o amor, seja ele qual for, excede, de muito, todos os limites, todas as medidas. De fato, não há uma medida para o amor. Não se sabe onde ele começa e onde acaba. Qualquer outro sentimento pode ser medido, inclusive o próprio ódio. Não o amor. Imaginemos uma amorosa. Se ela tem consciência de um limite, qualquer que seja ele, do seu amor, é porque não ama. Na vida sentimental da criatura, existem umas poucas verdades eternas. Umas dessas verdades é a seguinte: "Pouco amor não é amor". Sim, não há possibilidade de meio-termo. Ou muito ou nada."

Uma boa leitura!

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