A Menina que Roubava Livros (resenha livro + filme)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014



Espero que eu não esteja muito atrasada, mas vou contar pra vocês a minha experiência com "A menina que roubava livros", de Markus Zusak, e no final vou falar o que achei do filme que acabou de ser lançado nos cinemas.
O que mais nos chama a atenção no livro é o fato do narrador ser "A Morte". Ela não possui aquela imagem amedrontadora com capuz preto e uma foice que costumamos ver por aí, e sim uma personagem "humanizada", que tem os seus sentimentos e que encara seu trabalho de forma comum, cansando-se de vez em quando. Ela participa avidamente da história e está sempre em contato com os personagens, esperando o momento certo de puxar suas almas para si. Vejam só o trecho que mais me marcou no livro:

"Talvez você argumente que eu faço a ronda em qualquer ano, mas algumas vezes a raça humana gosta de acelerar um pouquinho as coisas. Aumenta a produção de corpos e das almas que escapam. Umas tantas bombas costumam resolver a questão. Ou umas câmaras de gás, ou a conversinha de canhões distantes. Quando nada disso conclui os procedimentos, pelo menos despoja as pessoas de seus meios de subsistência, e passo a ver gente sem teto por toda a parte. É comum eles virem atrás de mim quando vago pelas ruas das cidades violentadas. Imploram que eu os leve, sem perceber que já estou atarefada demais. 'A sua hora chegará', eu os convenço, e procuro não olhar para trás. Vez por outra, gostaria de dizer algo como 'Não vê que já estou com as mãos cheias?', mas nunca o faço. Reclamo internamente enquanto vou fazendo o meu trabalho, e há anos em que as almas e os corpos não se somam, multiplicam-se." 
A Morte tem um interesse especial pela nossa personagem principal, Liesel Meminger, justamente por tê-la visto três vezes e não a ter levado em nenhum desses momentos. A história de Liesel se passa entre seus 9 e 14 anos, na Alemanha nazista. O mais interessante é que sempre vemos o ponto de vista judeu quando vemos histórias desse período, mas o livro mostra um pouco do outro lado, ou seja, o que as crianças e algumas pessoas alemãs pensavam durante esse período e pelo que elas passavam.
A história começa num trem, com A Morte levando seu irmão mais novo e ela sendo deixada por sua mãe à família de Hans e Rosa Hubermann, já que esta está muito doente e pobre. Seu novo endereço torna-se a Rua Himmel, 33, que, por ironia do destino ou não, significa "Paraíso". Em seu novo lar seu principal amigo é Rudy Steiner, um garoto com cabelos "da cor de limões", que sempre pede um beijo dela. Outro personagem muito importante no livro é Max Vandnrburg, um judeu refugiado no porão da casa dos pais de Liesel, que passa por muitas dificuldades e quase morre por lá mesmo, e que torna-se um grande amigo de Liesel.
Não vou contar todos os detalhes da história porque ela é muito linda, muito bem escrita e realmente merece ser lida, então acho muito chato fazer spoilers por aqui. Fazia muito tempo que estava querendo ler esse livro, e o fato do filme ter sido lançado esse ano foi o que me motivou a lê-lo só agora, sendo que foi lançado em 2007, quando todo mundo já dizia que era bom. 
Para falar um pouco do filme, devo dizer desde já que não gostei muito. O filme não é ruim, muito pelo contrário, é muito bom e merece ser assistido. Até confesso que me emocionei no final (#chorona). Não gostei porque ele não é muito fiel à história e à relação entre os personagens. É fato que um filme nunca é parecido com o livro, mas acredito que poderia ter um pouco mais de detalhes, pois acredito que as pessoas não vão captar totalmente a emoção do livro e sua intensidade.
Enfim, pra quem já leu o livro recomendo que veja o filme, e pra quem ainda não leu recomendo a leitura e espero gostem dele tanto quanto eu!

Uma boa leitura!

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